quinta-feira, 17 de abril de 2008


ah, todos eles seguiam dois escritos de Platão nos quais ele dizia ter ouvido a história da cidade há não sei quantos anos por um egípcio que, por conseguinte, ouviu há mais sabe-se lá quantos anos - na verdade eles sabem, na época do documentário eram exatos 11.000 anos antes.

Platão, não fode.

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esse é um mapa de Atlântida, a "cidade perdida".
hoje estava vendo um documentário que retratava três expedições a fim de acharem a famosa cidade; o que mais me chamou a atenção foi a disparidade dos grupos; o primeiro estava procurando em Bahamas, o segundo na ilha de Chipre e o terceiro eu nem lembro - mas o terceiro falava que a cidade era constituída por seres extraterrestres, os quais tiveram relações com seres humanos (habitantes de Atlântida) passando, então, informações e tendo relações pessoais (sic) passando, assim, dna alienígia para nós.
a única coisa que eu salvei disso tudo - considerando que a narração era feita daquele jeito lento, tão característico nos documentários - é o fato de que pode ter um super-sangue-verde-fluorescente correndo em minhas veias. será que foi daí que surgiu o sangue azul? medo.

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quarta-feira, 16 de abril de 2008


não é que Percy Bysshe conseguiu descrever minha relação com a carne, especialmente a vermelha?


"É somente pelo amaciamento e disfarce da carne morta através do preparo culinário, que ela é tornada suscetível de mastigação ou digestão e que a visão de seus sucos sangrentos e horror puro não criam um desgosto e abominação intoleráveis. "

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quarta-feira, 9 de abril de 2008


Não. Não foi o belo, quase nunca, nem ao menos o bonito, porque tudo se veio esgarçando em rotina, sombra com vazio. Não foi o plano, o projeto, a lucidez conduzindo, já que o mistério se fez magia e baralhou os búzios da vontade. Não foi o imaginado, o sonhado, mas a verdade miúda e comovida sem ter de quê. Não foi o tempo que abarca vastamente, não, deve ser o que se conta aos pedaços, recorta, em mesquinha soma, e medrosa. Não foi o prometido, o esperado, antes foram os enganos, os engodos, os adiamentos sempre roubos, pequenos e de importância. Não foi nada útil, ou de se repartir, apenas o de guardar para comer sozinho. Não foi o brilhante, de anel e de relâmpago, simplesmente a luz no vidro. Não foi o bom, foi o barato, não foi o alegre, foi o pouco a pouco, não foi o claro, foi o difuso, pois os encargos chegam logo, e se aprendem, e ficam.
Não foi o momento certo, a maior parte aconteceu de repente, ou cedo, ou tarde, afinal não se repetiu. Não foi a viagem, a longa, larga viagem, de recordar, rever, que as paradas e os horários dividiram muito o roteiro, partiram, nublaram, não devolveram. Não foi o encontro nem a memória, não foi a paisagem nem o esquecimento, foi esse passar de pessoas e o seu reverso de imóvel que se isola e não fala, porque não adianta. Não foi a cidade mas a rua, não foi a figura mas a boca, não foi a chuva mas a calha. Não foi o campo, nem a mata, o morro, nem o rio, a relva, nem a árvore, nem o verde, foi a janela de trem, de carro, de longe. Não foi o livro aberto, a oração disfarçada, a primeira lição. Não foi a lâmpada, o linho, a lenda. Não foi a casa, o quintal, o corredor com portas e pé direito. Não foi o que vem de dentro, e sim o que bate, não se anuncia, e força, abre, e entra. Não foi o pacífico, o sem tumulto, foi até mesmo a guerra, ou melhor o combate, a escaramuça, perdidos de mãos nuas, limpas, as armas brancas. Não foi o amor, a certeza, o amanhã, foram as palavras que representam, a idéia de , o conceito, enfim, a sua redução. Não foi pouco nem muito, foi igual. Não foi sempre, nem faltou, foi mais às vezes. Não foi o que, foi como, e onde, e quando. Não, não foi.

Ricardo Ramos

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tão antiguinho que dá saudade...

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segunda-feira, 7 de abril de 2008



Carta de amor de Fernando Pessoa a Ofélia Queirós

19.2.1920

às 4 da madrugada

Meu amorzinho, meu Bébé querido:

São cerca de 4 horas da madrugada e acabo, apezar de ter todo o corpo dorido e a pedir repouso, de desistir definitivamente de dormir. Ha trez noites que isto me acontece, mas a noite de hoje, então, foi das mais horriveis que tenho passado em minha vida. Felizmente para ti, amorzinho, não podes imaginar. Não era só a angina, com a obrigação estupida de cuspir de dois em dois minutos, que me tirava o somno. É que, sem ter febre, eu tinha delirio, sentia-me endoidecer, tinha vontade de gritar, de gemer em voz alta, de mil cousas disparatadas. E tudo isto não só por influencia directa do mal estar que vem da doença, mas porque estive todo o dia de hontem arreliado com cousas, que se estão atrazando, relativas á vinda da minha família, e ainda por cima recebi, por intermedio de meu primo, que aqui veio ás 7 1/2, uma serie de noticias desagradaveis, que não vale a pena contar aqui, pois, felizmente, meu amor, te não dizem de modo algum respeito.

Depois, estar doente exactamente numa occasião em que tenho tanta cousa urgente a fazer, tanta cousa que não posso delegar em outras pessoas.

Vês, meu Bébé adorado, qual o estado de espirito em que tenho vivido estes dias, estes dois ultimos dias sobretudo? E não imaginas as saudades doidas, as saudades constantes que de ti tenho tido. Cada vez a tua ausencia, ainda que seja só de um dia para o outro, me abate; quanto mais hão havia eu de sentir o não te ver, meu amor, ha quasi três dias!

Diz-me uma cousa, amorzinho: Porque é que te mostras tão abatida e tão profundamente triste na tua segunda carta - a que mandaste hontem pelo Osorio? Comprehendo que estivesses tambem com saudades; mas tu mostras-te de um nervosismo, de uma tristeza, de um abatimento tães, que me doeu immenso ler a tua cartinha e ver o que soffrias. O que te aconteceu, amôr, além de estarmos separados? Houve qualquer cousa peor que te acontecesse? Porque fallas num tom tão desesperado do meu amor, como que duvidando d'elle, quando não tens para isso razão nenhuma?

Estou inteiramente só - pode dizer-se; pois aqui a gente da casa, que realmente me tem tratado muito bem, é em todo o caso de cerimonia, e só me vem trazer caldo, leite ou qualquer remedio durante o dia; não me faz, nem era de esperar, companhia nenhuma. E então a esta hora da noite parece-me que estou num deserto; estou com sêde e não tenho quem me dê qualquer cousa a tomar; estou meio-doido com o isolamento em que me sinto e nem tenho quem ao menos vele um pouco aqui enquanto eu tentasse dormir.

Estou cheio de frio, vou estender-me na cama para fingir que repouso. Não sei quando te mandarei esta carta ou se acrescentarei ainda mais alguma cousa.

Ai, meu amor, meu Bébé, minha bonequinha, quem te tivesse aqui! Muitos, muitos, muitos, muitos, muitos beijos do teu, sempre teu

Fernando



Eu seria incapaz de imaginar o Fernando Pessoa tão cheio de mimos com alguém, por trás daquele velho bigodinho e o batido óculos de grau existia (também) alguém que tem motivos para se envergonhar das suas cartas amorosas; não que ele tenha deixado de dizer, muito pelo contrário, entendo agora perfeitamente bem porque Álvaro Campos - um de seus pseudônimos - escreveu que "todas as cartas de amor são ridículas. não seriam cartas de amor se não fossem ridículas..."

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domingo, 6 de abril de 2008


e essa lei do deputado Aldo Rebelo? que ridículo!


"se promulgada a lei, todas as palavras em língua estrangeira terão que ser substituídas por palavras equivalentes em português. Nos casos de inexistência de expressão equivalente, será adimitido o aportuguesamento da palavra ou o neologismo."

isso porque nossa gramática é ÓTIMA e sem falha nenhuma, por isso é extremamente útil o carinha ir lá e montar uma lei ridícula dessa. não pretendo delongar porque no fim de semana eu quero mais é esquecer que a língua portuguesa existe.

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